Sobre Saudades e Lembranças (Parte I)...

Bem, eu estava querendo fazer esse post há tempos, mas me faltava coragem...

Então, vou começar falando algo que uma amiga minha que estuda ciências biológicas me ensinou (boa parte das palavras aqui, na parte que tange as explicações biológicas, são dela, mudei pouquíssimas coisas).

Cada experiência que se vive, gera conexões entre os neurônios, isso desde beijar alguém, comer alguma coisa, conhecer um lugar.

Isso existe graças à capacidade que nosso cérebro tem de registrar os fatos. Esse registro pode ocorrer por repetição, ou devido ao impacto que aquilo gera, assim como quando é novidade.

As percepções e sensações ficam ''gravadas'' nessa teia de conexões que nossos neurônios estabelecem entre si na zona da memória.

Portanto, a saudade, neurofisiologicamente falando, é quando você estimula um desses neurônios e esse estímulo se propaga para os demais fazendo o impulso nervoso percorrer o mesmo caminho feito para estabelecer o registro.

É por isso que quando você sente um cheiro, você lembra-se de uma pessoa, de algum lugar que você estava com ela, da conversa que foi feita e etc.

Ou seja, experiências similares, ou lembranças, fazem com que as informações percorram os mesmos caminhos nos neurônios, e então geram saudades daquilo.

Por isso que escutar aquela musica nos lembra alguém (ou algum fato ocorrido), um filme, umas viagem, uma vivencia, e por ai vai...

E daí vem a explicação do porque é tão difícil esquecer certas coisas. Para esquecer algo é preciso recodificar essa “gravação” que nossos neurônios fazem. Sabe aquela máxima: “Nada como um novo amor para se esquecer do antigo”?!

Pronto! É mais ou menos por ai mesmo. É preciso mudar a informação que passa pelos neurônios, e com isso conseguir mudar a lembrança ou “saudade” que aquilo gera. E pra tal o melhor é que seja algo da mesma natureza (portanto, isso vale não só pra amores, como para outras experiências em geral.).

Contudo, é mais ou menos por ai que nós não conseguimos esquecer certas coisas. E onde eu acho que entra uma frase que eu gosto muito,

“O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções.” (não consegui achar o nome do (a) autor (a))

Por isso, certas coisas não se têm como colocar algo no lugar e substituir, são únicas e como tal iremos lembrar sempre delas. O que acaba acontecendo, é o que a frase fala, com o tempo elas saem do foco principal, e outras vão sendo mais urgentes e corriqueiras.

Vale lembrar que isso é tanto pra lembranças boas, quanto pras ruins. Por isso que as vezes ver alguém nos traz sensações muito boas, e conexões legais.Enquanto outras pessoas que nos magoaram de alguma forma, e que as lembranças mais fortes são as dos fatos ruins, ao vermos são eles que vêem à tona, e vê-las não é nada legal.

Agora vem a parte que eu andei evitando falar por tanto também, mas como as conexões estão aqui vivas e gritantes, vamo lá.

Eu vi posts, e algumas pessoas que fizeram intercâmbio falando sobre a saudade que se sente quando voltamos pra casa. E o mais duro disso é que num tem como substituir, sendo bem científica aqui, as conexões que foram feitas.

Foram momentos únicos, acontecimentos que não se repetem, viagens que mesmo que as façamos novamente nunca serão as mesmas (não só pelos lugares, que mudam com o passar do tempo; como pelas companhias que provavelmente serão outras; até mesmo você, que não será o mesmo de antes.).

Com certeza poderia passar dias falando de varias saudades que os meses vivendo longe do Brasil criaram, mas vou tentar colocar aqui as que são mais urgentes.

Vejamos, saudades de ter que me virar pra fazer as coisas (alimentação, finanças, problemas em geral); de decidir o que eu ia comer (apesar de as vezes num ter muito saco pra cozinhar :~); de fazer compras e decidir cada detalhe delas; o que me lembra do “Minipreço” nosso de cada dia, nossa eu ia muito naquele mercado!

O que leva também às saudades do apartamento onde eu morava. Eu, tão acostumada a ter um quarto só pra mim já faz um bom tempo, dei a sorte de dividir um beliche com Gabriela, mais tranqüilo num poderia ter sido. É incrível também como aqui no Brasil foi preciso comprar um guarda-roupa maior para comportar a tuia de coisa que eu tenho, e lá eu vivia bem com a metade de um guarda-roupa de duas portas (que era estreito e baixinho, por sinal).

Ah, num esquecendo os meninos que moravam conosco, Ivan, Leandro e Mateus. Leandro com seu jeito mais quieto e reservado, Mateus que eu só vim ter mais contato quando estava prestes a voltar pro Brasil, e Ivan mais comunicativo. Sinto falta das horas na cozinha conversando com Ivan e Gabriela, ou então na sala, ou então no quarto dele, às vezes no nosso, enfim, dos nossos papos. Assim como viajar com eles foi muito bom, apesar de algumas coisas não terem sido tão divertidas assim (lembro do aperreio em Berlim, e do babado que foi pra voltar de Amsterdã).

(...continua no proximo post...)
P.S.: Feliz dia das Mães =D

Comentários

Gabriela Máxima disse…
meu deus, como eu sinto saudade. como eu queria ter a oportunidade de dividir outras coisas contigo. me doaria muito mais. beijão

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