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Livre, respeitada e do bar - por RUTH MANUS

(fonte: http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/livre-respeitada-e-do-bar/ ) Pelo direito de ser E DE NÃO SER bela, recatada e do lar. Quando a gente acha que já teve náuseas suficientes nos últimos dias, surge uma reportagem sobre a esposa do Michel Temer, entitulada “bela, recatada e do lar”. Antes de tudo, que fique claro, não vejo nenhum problema se uma mulher quiser ser bela, recatada e do lar. Como disse Simone de Beauvoir, “que a liberdade seja a nossa própria substância”. Toda mulher é livre para escolher o caminho que torna-a realizada. Isso só se torna um problema quando um dos maiores veículos de informação do país coloca- ainda que de forma velada- essas características como padrão a ser seguido, e coroam a reportagem dizendo que Temer é um homem de sorte. Precisamos olhar para isso. Pensar sobre isso. Precisamos repensar esse encardido conceito de “bela”. A boa e velha mulher objeto que tem seu valor diretamente relacionado ao quão agradável ela é aos...

Wyrd Bið Ful Aræd

(copiado de https://cronicasabsurdo.wordpress.com/2008/08/12/wyrd-bi%C3%B0-ful-ar%C3%A6d/) Tudo é como tem que ser. Se não for agora, será depois. Se não for de um jeito, será do outro. As coisas acontecem porque tem que acontecer. Às vezes por caminhos tortos, às vezes mais diretos, às vezes pelo lado errado, nem sempre do jeito mais fácil. Às vezes dá para prever, às vezes vem de surpresa. Nem sempre como queremos, nem sempre quando queremos. Às vezes é a coisa certa na hora errada, às vezes nós não entendemos a hora e às vezes não entendemos as coisas. Os sinais estão por todos os lados, mas geralmente não conseguimos ou não queremos lê-los, ou então lemos ao nosso modo sem pescar o que realmente eles querem dizer. Aí, depois do espanto,  a constatação do óbvio. Se foi assim, é porque tinha que ser. Se tivesse sido diferente, seria porque sim. Nem tudo é para ser explicado, nem tudo é para ser entendido, mas se foi, é porque tinha que ser.

Carta a uma amiga - por Marianna Holanda #PrecisamosFalarSobreAborto

(fonte:  http://www.brasilpost.com.br/marianna-holanda/carta-a-uma-amiga_b_6214720.html ) Lembra aquele dia que você me ligou nervosa e eu fui pra sua casa? Aquele mês em que tudo deu errado e ela demorou uma semana pra descer. Você sempre toma a pílula, mas esqueceu um dia, estava cansada, trabalhando muito. Aí, não desceu. Você não parava de chorar, entre uma e outra promessa de nunca mais transar com ninguém. "Minha vida acabou", disse com tanta certeza. Felizmente, desceu e não foi dessa vez. Você era jovem e não estava pronta. Tinha acabado de entrar num novo emprego. Tinha acabado de sair da casa dos seus pais. Eles nos dizem que hoje só engravida quem quer. Mas sabemos que não é assim, né? Você, que faz exames ginecológicos duas vezes ao ano, paga R$ 40 por mês numa cartela de anticoncepcionais e estudou muita biologia no ensino médio, sabe que as coisas não funcionam assim. Só quem nunca se desesperou por um atraso pode falar isso, ou seja, só quem não tem nada p...

Há quem ame o país só nas Copas. Fora delas, quer que tudo se exploda - por Leonardo Sakamoto

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(fonte:  http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/07/07/ha-quem-ame-o-pais-so-nas-copas-fora-delas-quer-que-tudo-se-exploda/ ) Um carro enfeitado com uma grande bandeira do Brasil avançava velozmente pelo acostamento para fugir do congestionamento na rodovia dos Imigrantes na manhã desta segunda. Um casal, que saiu animado na tarde de ontem de um restaurante no Itaim, estacionou o carro – decorado de verde e amarelo – em uma vaga para pessoas com deficiência. O veículo não possuía nenhuma sinalização de pertencer a uma pessoa com deficiência. No sábado, um outro possante – que parecia uma festa junina ambulante de tanta bandeirola verde e amarela – abriu a janela, arremessou uma latinha de cerveja vazia na direção de uma pessoa em situação de rua que dormia no canteiro central de uma avenida, em Pinheiros, e disparou, cantando pneus. Os três causos foram em São Paulo, mas poderiam ter sido em qualquer lugar. Estava me perguntando qual a profundidade desse rompant...

Sobre estupro e outras formas de machismo - Por Hanna Thuin.

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 O nojo do gozo que não participei - Sobre estupro e outras formas de machismo (Imagem Ilustrativa) (fonte: http://www.folhasocial.com/2014/02/o-nojo-do-gozo-que-nao-participei-sobre.html ) Publicado em  Revista Vírus Planetário A história que segue é suja, densa – tão densa quanto o último respingo dela. A história que segue é dantesca:  retrato de um pesadelo acalorado pelo inferno. É uma história que nada posso barganhar para esquecer; história que nada pude fazer para deter. É uma história-memória sem cortes ou censuras – a linguagem é crua e dura. Inadequada para quem com a verdade da realidade não pode ter. Não leia se este último papel cabe em você. Saía da aula. Tarde. Estacionamento parcamente iluminado. Transeuntes inexistentes. Tudo era sombra – à exceção da Lua cheia: seria ela a única a testemunhar. Seiscentos metros; sessenta passos: foi essa a distância percorrida antes que aquelas mãos segurassem firme meu ombro. Segundos. Minha bols...

Uma vez fui viajar e não voltei - Marcelo Penteado

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(fonte:  http://sigoescrevendo.com/2013/08/26/uma-vez-fui-viajar-e-nao-voltei/ ) Faro, 2011 Uma vez fui viajar e não voltei. Não por rebeldia ou por ter decidido ficar; simplesmente mudei. Cruzei fronteiras que eu nunca imaginaria cruzar. Nem no mapa, nem na vida. Fui tão longe que olhar para trás não era confortante, era motivador. Conheci o que posso chamar de professores e acessei conhecimentos que nenhum livro poderia me ensinar. Não por serem secretos, mas por serem vivos. Acrescentei ao dicionário da minha vida novos significados para educação, medo e respeito. Reaprendi o valor de alguns gestos. Como quando criança, a espontaneidade de sorrisos e olhares faz valer a comunicação mais universal que há – a linguagem da alma. Fui acolhido por pessoas, famílias, estranhos, bancos e praças. Entre chãos e humanos, ambos podem ser igualmente frios ou restauradores. Conheci ruas, estações, aeroportos e me orgulho de ter dificuldade em lembrar seus nomes. Minha me...

Juninho, um machista no capricho - Por Miguel Rios (NE10)

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(fonte:  http://ne10.uol.com.br/coluna/o-papo-e-pop/noticia/2013/08/23/coluna-juninho-um-machista-no-capricho-438362.php  ) Juninho aprende a ser homem, macho, como se espera, é o que tem que ser Fotos: arquivo Por Miguel Rios Juninho nasceu. Dia de festa na família, de orgulho. O filho varão. Quarto azul, roupinhas azuis. Azul é o ursinho. Azul é o chocalho. Trata-se de um menino, homem, e tem logo que ser identificado com tal. Não deixar dúvidas. Juninho é carregado pelos tios e logo seu pênis, mesmo diminuto, é louvado. "Pintão!". "Esse puxo ao tio!" As tias se apressam em arranjar um par para quem tem um dia de vida. "Agora a filha de Maria e João tem com quem namorar", diz uma. "Tem também a de Pedro e Juliana", lembra outra. Chegam logo a um consenso que ele dará conta de todas. É garanhão. É homem. Surge a conclusão que ele estava virado para o lado direito, pois, nessa posição, poderia ficar de olho na menininha ao lado no be...

Sofremos racismo de espanhóis. E escravizamos bolivianos para compensar - por Leonardo Sakamoto

(fonte:  http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/07/01/sofremos-racismo-de-espanhois-e-escravizamos-bolivianos-para-compensar/  ) O Twitter virou a madrugada com uma enxurrada de post preconceituosos contra jogadores negros por conta das três mangabas que caíram na cabeça dos irmãos espanhóis no Maracanã. Não fico ofendido porque sou brasileiro – essa patriotada ridícula me dá canseira. Mas qualquer ser humano não deve ser motivo de piadas por conta da cor de sua pele, sua origem social ou geográfica, orientação sexual, opção política, e por aí vai. Os comentários de gente dodói não refletem a totalidade do povo espanhol, da mesma forma que não se pode generalizar as porcarias proferidas na internet a partir daqui contra negros, judeus, chineses e bolivianos. No que pesem ambas as sociedades serem patriarcais, machistas, homofóbicas. Antes de mais nada, para os racistas na internet, o meu desprezo. E o desejo que, no futuro, a incitação internacional de crimes ...

"Estatuto do Nascituro: mulheres são apenas um vaso de planta" - por Leonardo Sakamoto

(fonte:  http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/06/06/estatuto-do-nascituro-mulheres-sao-apenas-um-vaso-de-planta/ ) A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara aprovou, nesta quarta (5), substitutivo ao projeto que cria o Estatuto do Nascituro. Ele prevê o direito ao pagamento de pensão às crianças concebidas por estupro. A proposta segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça antes de ir para o plenário. Com isso, são criadas brechas para criminalizar o aborto em casos de estupro – hoje permitido por lei. Na prática, o embrião passa a ter mais direitos que a mulher violentada. O projeto tem sido defendido por deputados da bancada evangélica. OK, deu. Vamos entregar a questão da saúde pública aos cuidados das igrejas, pronto. Certamente, as igrejas terão a coragem de pôr em prática ações que o Estado não toma. Os problemas sociais serão resolvidos com base no Código de Direito Canônico e, por que não, na reedição da bula  Cum ...

GUEST POST: FILHOS, NÃO TÊ-LOS E NÃO SABÊ-LOS (copiado do escrevalolaescreva.blogspot.com.br)

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(fonte:  http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2013/05/guest-post-filhos-nao-te-los-e-nao-sabe.html  ) Uma das minhas comentaristas preferidas, a Roxy Carmichel, me enviou este guest post. Vinicius de Morais, que podia ser bem categórico às vezes, como quando proclamou o caráter não só necessário como fundamental da beleza, se permitiu no " Poema Enjoadinho " o benefício da dúvida ao se perguntar sobre os filhos: se não os temos, como sabê-lo? A dúvida vai se reduzindo consideravelmente até chegar à certeza quando o poetinha lista os benefícios da procriação e termina  por convencer  a mais indecisa das almas. Mas algo me diz que essa dúvida, ainda bem tímida, tenha ficado datada, perdida em algum lugar dos anos 70 entre os discos do Led Zeppelin e a sexualidade desvinculada da reprodução com o advento da pílula anticoncepcional. No Brasil questionar esse mandato social ainda é tabu. Ano passado,  a matéria  "Ter filhos traz mesmo felicidade?" da r...