sotaque na berlinda - Por Luís Fernando Moura (texto), Jaíne Cintra (design) e Greg (arte).
(fonte: http://aurora.diariodepernambuco.com.br/2013/02/5973/?fb_action_ids=10200252090537453&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=%7B%2210200252090537453%22%3A489935257710494%7D&action_type_map=%7B%2210200252090537453%22%3A%22og.likes%22%7D&action_ref_map=%5B%5D )
O professor Simon Wajntraub tagarela por entre as cadeiras de um auditório morno no bairro dos Jardins, em São Paulo. No palco, tímidos, gagos, hesitantes, sopranos indomados, oradores pretensos empunham um microfone na tentativa de nocautear a vampiresca presença de uma câmera, imagens projetadas ao vivo na parede encardida, duas caixas de som, um gravador de DVD, dois holofotes amarelos e uma ansiosa plateia de colegas. Wajntraub convoca: “Vem cá, cearense!”.
Sobe ao batente um homem adocicado, calvo e altíssimo, escondido numa polo listrada, sob um sorriso retilíneo, no que o mestre retifica: “…que aqui é considerado baiano, mas não é baiano não. De onde você é mesmo?” “Piauí”, responde. Edilson Ribeiro Silva, 43 anos, é casado, testemunha de Jeová, quer ir à Chapada Diamantina e trabalha como zelador de um edifício de classe média no bairro do Paraíso, mas neste instante público é não mais que um baiano cearense piauiense, aluno deste curso de oratória. Risadinhas ecoam.
“E como é que foi pra você chegar com esse sotaque aqui em São Paulo? O pessoal zoava?”, emenda o professor. “Percebiam, né? Muito esforço pra perder?”, questiona Wajntraub. “Me esforcei, sim. Acho que, com a convivência com as pessoas, você vai perdendo um pouco. Quando volto lá de férias é que fica carregado”. “E qual a importância de perder o sotaque?”, inquire o anfitrião. “É importante até mesmo por conta do preconceito que tem, né? Porque atrapalha um pouco, mas também porque não é bonito”.
Pausa para o merchandising. No palco, o advogado Edson Nagamine de Lima, aluno de Wajntraub em 1998, diz que até hoje pratica as lições de seus CDs educativos, com a energia de um pregador em praça pública. “Principalmente a parte de trava-língua. Até porque sou filho de nordestino. E existem algumas palavras que a gente tem dificuldade para pronunciar”, afirma. “Nordestino não fala travesseiro. Fala trabesseiro”, diz o jurista com voz saxofônica que dá aulas-espetáculo em cursos preparatórios para concurso. “Minha avó mesmo chamava vassoura de bassoura. Quando você fica realmente nervoso, quando entra numa situação de desequilíbrio, parece que volta aquela situação da infância e você começa a errar. Às vezes você nem se ouve, não consegue concatenar os pensamentos”.
Na pressa para embarcar num avião — carioca, Wajntraub ministra aulas regulares em diversas partes do Brasil —, o professor senta conosco para uma troca de fonemas sobre equívocos das falas daqui ou dacolá. Em 44 anos de fonoaudiologia praticada em cursos como este, acostumou-se a receber gente vinda dos mais diversos lugares em busca de um “s”, se possível, mais sudestino —palavra que este Microsoft Word sequer reconhece. Há árabes, de fala muito “gutural”, conta, ou japoneses, “que falam tudo quiqui popó tutu”. “Mas os gringos passam o resto da vida falando assim, se não treinarem com o meu material. Já nós, brasileiros, mudamos o sotaque mais facilmente”, descreve.
Entre os exemplos nacionais, os campeões de socorro fonoaudiológico são provenientes do interior paulista, que com frequência entram pela porrrta. Já os nordestinos sofrem os tropeços de “falar cantado”, explica. “Falam ‘oooi, bichinho, tudo bééém?’ E aí temos que mudar a interpretação dele: ‘ôi, tudo bêm?’”. O professor diz que muitos nordestinos se sentem desvalorizados por essa forma de falar. Por isso o procuram.
“No meu caso, foi mais por conta do trabalho”, conta-nos Edilson em um supermercado, próximo ao seu trabalho-residência. Zelador desde 1997, justifica seus esforços linguísticos com o currículo. Desde que chegou, “assombrado” pelos ruídos da cidade gigante, trocou as letras em busca de um sotaque menos transparente e pedregoso, no trato com o sucesso profissional. Ao se explicar, produz a máxima: “A principal forma de te identificar é o sotaque”, e rememora o impacto da chegada à capital paulista: “No começo, o preconceito era enorme, e a gente mesmo criava esse medo, essa vontade de se esconder”. Quem se poupou foram conterrâneos empregados “em casa de família, em fábrica”. “Eles não têm a necessidade de falar melhor, pois não tratam com ninguém. Quase sempre vão ser só mandados”. Já Edilson é um homem social: “Lido com pessoas muito qualificadas. Preciso me expor”.
São dilemas que encontram ressonância no pensamento de Marcos Bagno, linguista, professor da Universidade de Brasília e autor do hit acadêmico Preconceito linguístico. Na última década, suas ideias atordoaram gramaticistas de uma fala-padrão, um jeito correto etiquetado por todos-poderosos, bojo de regras do qual os sotaques de alhures tendem a ser descartados como uma sopa de letrinhas gelada. “O sotaque é o primeiro alvo do preconceito linguístico”, diz Bagno à Aurora. “Ao abrir a boca para falar, toda e qualquer pessoa inevitavelmente traz as marcas fonéticas da variedade de sua região. Se for uma região prestigiada, rica, que goza de um imaginário positivo, o sotaque será valorizado. Se for, ao contrário, uma região considerada ‘pobre’, ‘atrasada’, seus falantes também receberão as mesmas qualificações”. É, antes mesmo de um preconceito com a linguagem, um “preconceito social”, afirma.
você é ridicularizado? você é compreendido?
Mestre em Comunicação, autor de 20 livros sobre oratória e famoso também por professar boas falas na pós-graduação em Marketing Político e Gestão Corporativa da Universidade de São Paulo, Reinaldo Polito pondera: a hesitação em manter marcas de linguagem é “muito mais dos nordestinos do que das pessoas que os recebem e mantêm contato com eles. Na minha escola, me surpreendo quando um nordestino diz que está preocupado com o sotaque. É comum eu dizer: ‘como você pode estar preocupado com o que existe de mais sedutor em sua comunicação?’” No vocabulário de suas verdades, deixa claras as fronteiras entre o errado e o diferente, sendo o sotaque próprio do idioma democrático da diferença.
Não a ponto de blindá-lo de sutis reformas pessoais, no entanto. “Nasci e fui criado em Araraquara, no interior de São Paulo. Possuía uma forma de falar característica de algumas regiões interioranas, com o ‘r’ retroflexo — aquele com língua dobrada — bem carregado. Imagine alguém ministrando aula de oratória no Recife e falando assim. Provavelmente seria ridicularizado e perderia a autoridade. Por isso, tive de me dedicar para mudar o jeito de falar. Hoje falo sem esse jeitão interiorano e me saio bem na profissão que abracei”, diz Reinaldo Polito.
O consultor divide conosco breve cartilha de orientações fonéticas e ensina: “O sotaque pode provocar prejuízos profissionais quando a pessoa tem de manter contatos permanentes ou constantes com interlocutores de outras regiões”. Ele propõe o seguinte questionário:
- Por causa da minha forma de falar sou ridicularizado?
- Por causa da minha forma de falar não sou compreendido?
- Por causa da minha forma de falar sou visto como arrogante ou prepotente?
“Se a resposta a uma dessas questões for positiva, há risco de ter prejuízo na carreira ou nos negócios e vale a pena refletir sobre a necessidade de promover algumas mudanças para que o jeito de falar não se transforme em obstáculo”, orienta Polito.
Não por acaso, geralmente essas mudanças tentam se adaptar ao jeito de falar dos centros hegemônicos, como explica Margos Bagno. “Em qualquer sociedade, existe a eleição de uma determinada variedade para servir de base para um ‘falar nacional’”, diz o linguista. “E não é por coincidência que essa eleição sempre recai sobre a região mais rica, mais industrializada, com maior prestígio cultural. Na Inglaterra, por exemplo, a norma considerada padrão é a variedade da classe alta da região de Londres, Oxford e Cambridge, chamada de ‘inglês da BBC’ ou ‘inglês da rainha’. No Brasil, a variedade eleita para ser padronizada é um misto do carioca, do paulista e do mineiro”.
Para novatos pragmáticos, como sugere Reinaldo Polito, se dar bem em terra de veteranos pode significar fazer concessões conscientes aos valores simbólicos cristalizados no outro, esse outro tão exótico quanto o royal british accent de Elizabeth II. Para o pesquisador Conrado Moreira Mendes, no entanto, é também admitir que o outro é, na verdade, você mesmo. Que é você que está deslocado dos padrões dominantes. “Quando o nordestino opta por, entre aspas, neutralizar a sua fala, está aceitando as normas do mais forte. Ele está se assujeitando”, afirma Mendes, pesquisador de sociologia da linguagem da Universidade de São Paulo e autor de pesquisa sobre a produção de uma suposta oralidade neutra pelo Jornal Nacional.
(não) gostaria de estar falando com um nordestino
Telemarketing, país da persuasão pela fala. No cigarro durante a pausa, a funcionária de plena retórica paulistana demora mais de dez minutos até nos contar que nasceu no Piauí. “Cheguei com 7 anos. É como se eu fosse daqui”, diz. Não divide a origem antes de nos sussurrar, com alguma acidez condescendente, o que se passa entre os colegas que mantêm sotaque nordestino acentuado: “Não sei se é o sotaque, mas falta credibilidade. Os clientes não sentem firmeza”, diz Delzenice Lopes de Souza, 43.
Atendente de call center há quatro anos, ela conta que a incursão do setor no Nordeste deu sílabas tônicas àquilo que percebia entre recém-chegados contratados na capital paulista. Se recebe ligações de clientes inseguros, afirma, é porque antes passaram por telefonistas nordestinos.Se ela própria é a cliente, diz que é necessário explicar procedimentos técnicos aos atendentes do Nordeste, que os ignoram. “Mas eles ficam inibidos, e desligam na cara”, conta, logo antes de emendar riso simpático. “Não acho que você tem que mudar o sotaque, faz parte da sua personalidade. Mas alguma coisa acontece, pois os clientes ligam para confirmar as informações. Eles desconfiam. Talvez falte malemolência”.
A colega Maísa Geane, paraibana de 24 anos chegada há dois em São Paulo, já ouviu gargalhadas pelo telefone. “Você é baiana, né? A Bahia é muito boa de morar”, diz um cliente. “Não, eu não tenho nada de baiana”, responde. Se o assédio diminuiu, foi graças à pronúncia de pequenas adaptações. “De vez em quando eu levava feedbacks do supervisor. Ele mandava eu falar mais devagar, pois paraibano fala muito rápido. Alguns clientes não me entendiam”. Para algumas amigas, conterrâneas que vieram a São Paulo na mesma leva de migrações, a voz virou entrave para a contratação. “Uma delas, que é tímida e fala rápido demais, foi demitida de lojas logo após o período de treinamento”.
Quase nunca isso é muito claro, já que a oralidade media outros valores de forma subterrânea. Se, no telemarketing, a voz balbucia traços culturais a serem imaginados pelos clientes, no comércio ela é indissociável da aparência – e aí vêm as presenças do negro, da mulher, do gay. Ricardo Patah, caixa de supermercado e presidente do Sindicato dos Comerciários do Município de São Paulo, diz-nos que alguns preconceitos são, literalmente, mais visíveis, como a preterição de negros em favor dos brancos. A forma de falar, no entanto, mistura-se num mosaico menos sensível de aspectos que fazem de você um deles. Ou, pelo contrário, um alienígena.
“A gente percebe que o comércio claramente discrimina os afrodescendentes. Boa parte das lojas vai dar preferência àquele filho de trabalhador ou trabalhadora branca, de olhos verdes, o que de alguma forma vai afetar também os nordestinos”, afirma Patah. “No caso da fala, se por acaso houver dois candidatos muito parecidos numa seleção de emprego, vai ser dada a preferência para quem tiver a fala com características do Sudeste. Mas se um tem a fala nordestina e aparência de europeu, e o outro é do Sudeste sem aparência europeia, vai valer mais a aparência que a forma de falar”. Patah diz que, entre as pesquisas do sindicato, sotaque ainda não virou objeto de análise, e que “os lojistas vão sempre dizer que não importa. Mas, para nós, é perceptível que tem valor”.
Fred Loyola, pernambucano de 32 anos, passou seis meses em São Paulo e deu marcha ré com o mesmo balanço impreciso — sem sinais claros, com desconfianças. Rapaz de classe média, formado em marketing e experiente em atendimento, mais trombou com simpáticos a seu sotaque do que com parcimoniosos. Mas as idiossincrasias da voz, que o fazem titubear entre a vergonha de se ouvir falar — “acho minha voz feia” — e o apego ao sotaque — “é essência” — terminaram ganhando tom de interrogação nos “nãos” que o mercado lhe deu: “Sei que não foi só isso, mas com certeza o sotaque contribuiu, principalmente para mim, que trabalho com o público”, afirma.
Segundo Mendes, “são questões puramente ideológicas. Você vai colocar no seu estabelecimento sempre aquela figura que não cause estranhamento no seu igual. Se estamos num shopping caro, dificilmente você vai achar um vendedor negro ou nordestino. Se você acha um nordestino, não vai ser negro, vai ter olho azul. Se é um cara perceptivelmente gay, vai atender numa loja de mulheres, e vai ser bonito”.
Mas a fala ainda é uma paisagem nebulosa, diz Bagno. A resistência à forma de falar, sob o mantra da boa comunicação, é um lugar seguro para guardar rancores discriminatórios, aponta o pesquisador: “A linguagem se tornou praticamente o último reduto para o preconceito explícito. Já pega mal discriminar alguém por ser mulher, negro, índio, pobre, homossexual, nordestino. Mas a língua ou a variedade linguística permanece como um elemento pesadamente investido de ideologia repressora”.
boa noite e até amanhã
“Ainda hoje, o nordestino com sotaque costuma representar e ser representado em papéis de porteiro ou empregada doméstica”, diz Hermila Guedes, 33. Pernambucana de Cabrobó, atriz de filme, teatro e TV Globo, Hermila quer também outros personagens, e dosa timbres vocais com a minúcia de um maquiador. Desde o especial Por toda a minha vida, em 2007, quando interpretou Elis Regina, até a novela Amor, eterno amor, no ano passado, recorre à fonoaudiologia e usa as marcas fonéticas como tintas para os rostos exigidos pela dramaturgia. “Quanto menos seu sotaque for carregado, mais trabalho você faz em publicidade. E a TV foi o ponto chave para eu ter uma fala completamente neutra”. Mas neutra?
“O fato de o centro televisivo cultural mais forte ser em São Paulo e no Rio de Janeiro fez com que esses sotaques fossem mais aceitos e mais pontuados”, justifica a atriz. Um fenômeno que desde sempre carregou ao consultório de Simon Wajntraub levas inteiras de aspirantes à indústria do entretenimento, em busca de uma neutralidade sudestina bamba, sem “r” paulista ou “x” carioca, que dá às vozes que ouvimos durante o cuscuz do jantar a impressão de que falam de lugar nenhum. É o fenômeno que o pesquisador Conrado Moreira Mendes investigou com ferramentas sociolinguísticas para apontar: ao longo de 43 anos, o Jornal Nacional criou uma fala-padrão com a mesma força que integrou uma nação de diferentes.
“Não é uma ‘neutralidade’ natural, existe uma razão. Diz-se que é para ser mais inteligível e para que todo mundo entenda. Mas o que faz com que o falar do Sudeste seja mais reconhecível que o do Norte, do Sul e do Nordeste? Isso é conversa para boi dormir”, afirma Mendes. Ele observa o caso de Ticiana Villas Boas, baiana e âncora do Jornal da Band que abriu uma janela para a manutenção do sotaque em rede nacional. “Se a gente for observar o todo, é o sotaque atrás de uma mulher bonita, branca e de acordo com o padrão de beleza. Dificilmente veríamos uma mulher com sotaque e também com o estereótipo de nordestina”. Para esta, restaria o “sotaque do Espírito Santo”, como diz Caio Braz, fazendo piada.
O pernambucano de 25 anos, apresentador do canal pago GNT, conta que a homogeneização de uma fala surgida em algum lugar do Sudeste tem caricatura nos bastidores da TV. O seu caso, de um recifense de timbres claramente recifenses, parece ainda ser tratado como exceção na programação de nossas TVs – mas nunca trouxe dificuldades, diz. “O sotaque pernambucano faz as pessoas sorrirem. Não altero as coisas que são muito marcantes. Apenas evito gírias muito locais, que as pessoas não entendem. Tipo grea, tabacudo”, ri. “Na verdade, me policio para não perder o sotaque. Tem gente que passa dois meses em São Paulo e começa a falar asseeem”. E afirma: “O importante é que a gente sinta que está conversando na mesma língua”.
Caio Braz aparece na fissura de um período marcado por outro sotaque inventado para o Nordeste, o famoso nordestinês teledramatúrgico. “A gente nunca sabe muito bem como falar do outro”, diz Mendes. “O nordestinês é uma criação, só que uma criação da fala do mais fraco: junta pernambucano e baiano no mesmo caldeirão e vira algo caricatural”, continua. Para Hermila, um estigma que vai se apaziguando: “Antes se achava que qualquer um podia fazer o sotaque. Hoje em dia tem mais tratamento, uma fono para acompanhar os atores”, diz. Além disso, artistas mais prestigiosos, como o baiano Lázaro Ramos, podem transparecer marcas de origem sem puxão de orelha, ressalta.
“Acho que a exigência com o sotaque está se desconstruindo. Percebo que quem trabalha com TV quer, cada vez mais, mostrar sua personalidade através da fala”, diz Caio. Polito, enternecido com a opressão ao sotaque alheio, dá um tapinha nas costas: “O nordestino se esquece às vezes que a música e as constantes mobilidades sociais e profissionais promoveram uma integração entre as regiões que não tínhamos com tanta intensidade no passado”. Estaríamos ensaiando um novo falar nacional, mais misto e talvez desafiante para nossos ouvidos uníssonos? Teria caído o mito? Wajntraub, ao menos, hesita. Ao fim da aula de oratória, condena este repórter pernambucano: “Você tem o sotaque carregado. Pra ficar em São Paulo, está ruim. Fica triste não”. Conselho pontuado por cristalinos “x” cariocas.



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