Eu não me esqueço.
Ainda nos primeiros meses de 1999 na cidade de Espinho (PT).
Meu pai tinha defendendido e obtido o grau de Doutor pela Universidade do Porto.
A bolsa acabou, mas com o salário dele dava para que eu, meus irmãos e mainha ficassemos até o final do ano letivo (em junho). Essa era a idéia inicial.
Meu pai tinha defendendido e obtido o grau de Doutor pela Universidade do Porto.
A bolsa acabou, mas com o salário dele dava para que eu, meus irmãos e mainha ficassemos até o final do ano letivo (em junho). Essa era a idéia inicial.
Dentro de alguns meses iria um funcionário da secretaria de ensino me avaliar, ver se eu tinha maturidade para encarar o quinto ano - eu era um ano mais nova que os meus colegas de turma. A minha professora não tinha um pingo de preocupação "É só um protocolo, burocracia. Não tenho dúvidas de que a menina Emmanuelle está preparada".
Veio o Plano Real, os preços para nós duplicaram de valor. Veio também a incerteza de se quando painho retornarsse para o Brasil iria conseguir emprego em faculdades e ter uma grana extra. A mudança que estava planejada para junho teve que ser antecipada às pressas e foi feita em março, bem na época do meu aniversário.
Chorava todos os dias quando olhava mainha encaixotando as coisas. Fiz questão de comemorar meu aniversário com os colegas de escola, ganhei dois livros com dedicatórias deles e da professora que tenho até hoje.
Ao voltar pro Brasil tive que repetir o quarto ano todo, e por pouco não me fizeram regredir ao terceiro ano por causa da minha idade: "Ela é tão novinha, não pode ir pra quinta série".
Não, eu num sou do tipo de brasileiro que tem memória curta, eu não me esqueço.
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